RELATÓRIO ANUAL 2010
Demonstrações Financeiras

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS INDIVIDUAIS
(CONTROLADORA) E CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2010 E 2009
(Valores expressos em milhares de reais)


3. RESUMO DAS PRINCIPAIS PRÁTICAS CONTÁBEIS

3.1. PRINCIPAIS PRÁTICAS CONTÁBEIS

As principais práticas contábeis adotadas para a elaboração das demonstrações contábeis são as seguintes:

3.1.1. APURAÇÃO DO RESULTADO

O resultado das operações é apurado em conformidade com o regime contábil de competência.

  • Receita

A receita proveniente das vendas de produtos é reconhecida quando o Grupo transfere os riscos e recompensas da propriedade para o comprador e é provável que o Grupo receba o pagamento anteriormente acordado. Esses critérios são considerados atendidos quando os bens são entregues ao comprador. Se o comprador tem o direito de devolução, o Grupo difere o reconhecimento da receita até que o direito de devolução tenha expirado. No entanto, quando o Grupo retém apenas riscos insignificantes da propriedade devido ao direito de devolução, a receita não é diferida, mas o Grupo reconhece uma provisão com base em sua experiência anterior e em outros fatores relevantes. A mesma política aplica-se às garantias.

A receita é apresentada líquida dos impostos incidentes das devoluções, dos abatimentos e descontos e nas demonstrações financeiras consolidadas também estão líquidas das eliminações de vendas entre controladora e suas controladas.

  • Receita Financeira

Representada pelos ganhos nas variações do valor justo de ativos financeiros mensurados pelo valor justo por meio de resultado, bem como as receitas de juros obtidas através do método de juros efetivos.

Abrangem receitas de juros sobre montantes investidos (incluindo ativos financeiros disponíveis para venda), ganhos na alienação de ativos financeiros disponíveis para venda, variações no valor justo de ativos financeiros mensurados pelo valor justo por meio do resultado. A receita de juros é reconhecida no resultado, através do método dos juros efetivos.

3.1.2. RELATÓRIOS POR SEGMENTO

Segmentos operacionais são reportados de maneira consistente com os relatórios internos entregues ao principal tomador de decisões operacionais. O principal tomador de decisões operacionais foi identificado como a equipe da administração, incluindo o diretor executivo, o diretor de operações e o diretor financeiro.

A Administração da Companhia identificou dois segmentos divulgáveis estrategicamente organizados de acordo com a proteína animal, sendo mercado interno e externo, que atendem os parâmetros quantitativos e qualitativos de divulgação.

3.1.3. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS

As concessões governamentais recebidas sobre despesas de capital são geralmente deduzidas quando da obtenção do valor contábil do ativo adquirido. As concessões para despesas de receita são compensadas com os custos incorridos pelo Grupo. Se a retenção de uma concessão governamental depende de o Grupo satisfazer determinados critérios, essa retenção é inicialmente reconhecida como receita diferida. Quando os critérios para retenção foram satisfeitos, o saldo da receita diferida é divulgado na demonstração consolidada dos resultados abrangentes ou compensado com o ativo adquirido.

3.1.4. ESTIMATIVAS CONTÁBEIS

A elaboração das demonstrações contábeis individuais (controladora) e consolidadas, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e IFRS, requer que a Administração use de julgamento na determinação e registro de estimativas contábeis. Ativos e passivos significativos sujeitos a essas estimativas e premissas incluem, quando aplicáveis, o valor residual do ativo imobilizado, provisão para créditos de liquidação duvidosa, estoques, imposto de renda e contribuição social diferidos ativos e as provisões para riscos fiscais, trabalhistas e cíveis. A liquidação das transações envolvendo essas estimativas poderá resultar em valores diferentes dos estimados, devido a imprecisões inerentes ao processo de sua determinação. A Companhia e suas controladas revisam as estimativas e premissas pelo menos trimestralmente.

A consideração em retrospectiva não é usada para criar ou revisar estimativas. As estimativas feitas anteriormente pela Companhia de acordo com as BR GAAP não foram revisadas para a aplicação das IFRS, exceto quando necessário para refletir qualquer diferença nas políticas contábeis ou quanto ao julgamento de probabilidade de perdas em conformidade com as definições do IAS 37 – Provisão e Passivo e Ativos Contingentes.

Segue abaixo os assuntos objeto de julgamento pela Companhia:

  • Vida útil dos bens do ativo imobilizado;
  • Ativo biológicos;
  • Perda por redução ao valor recuperável de tributos;
  • Mensuração ao valor justo de itens relacionados a combinação de negócios;
  • Valor justo de instrumentos financeiros; e
  • Perdas com créditos de liquidação duvidosa.

3.1.5. INSTRUMENTOS FINANCEIROS

Instrumentos financeiros não derivativos incluem aplicações financeiras, investimentos em instrumentos de dívida e patrimônio, contas a receber e outros recebíveis, caixa e equivalentes de caixa, empréstimos e financiamentos, assim como contas a pagar e outras dívidas.

Instrumentos financeiros não derivativos são reconhecidos inicialmente pelo valor justo acrescido, para instrumentos que não sejam reconhecidos pelo valor justo pelo resultado, de quaisquer custos de transação diretamente atribuíveis. Posteriormente ao reconhecimento inicial, os instrumentos financeiros não derivativos são mensurados de acordo com sua respectiva classificação:

  • Mantidos até o vencimento

  • Se a Companhia tem a intenção positiva e capacidade de manter até o vencimento seus instrumentos de dívida, esses são classificados como mantidos até o vencimento. Investimentos mantidos até o vencimento são mensurados pelo custo amortizado utilizando o método de taxa de juros efetiva, deduzido de eventuais reduções em seu valor recuperável.

  • Disponíveis para venda

  • Os investimentos da Companhia em instrumentos de patrimônio e de certos ativos relativos a instrumentos de dívida são classificados como disponíveis para venda. Posteriormente ao reconhecimento inicial, são avaliados pelo valor justo e as suas flutuações, exceto reduções em seu valor recuperável, e as diferenças em moeda estrangeira destes instrumentos, são reconhecidas diretamente no patrimônio líquido, líquidos dos efeitos tributários. Quando um investimento deixa de ser reconhecido, o ganho ou perda acumulada no patrimônio líquido é transferido para resultado.

  • Empréstimos e recebíveis

  • São ativos financeiros não derivativos com pagamentos fixos ou determináveis que não são cotados em mercado ativo.

  • Mensurados ao valor justo pelo resultado

  • Um instrumento é classificado pelo valor justo pelo resultado se for mantido para negociação, ou seja, designado como tal quando do reconhecimento inicial. Os instrumentos financeiros são designados pelo valor justo pelo resultado se a Companhia gerencia esses investimentos e toma as decisões de compra e venda com base em seu valor justo de acordo com a estratégia de investimento e gerenciamento de risco documentado pela Companhia. Após reconhecimento inicial, custos de transação atribuíveis são reconhecidos nos resultados quando incorridos. Instrumentos financeiros ao valor justo pelo resultado são medidos pelo valor justo, e suas flutuações são reconhecidas no resultado.

  • Outros

  • Outros instrumentos financeiros não derivativos são mensurados pelo custo amortizado utilizando o método de taxa de juros efetiva, ajustados por eventuais reduções no valor recuperável.

  • Instrumentos Financeiros Derivativos

Os instrumentos financeiros derivativos mensurados a valor justo são instrumentos derivativos financeiros ativamente negociados em mercados organizados, seu valor justo é determinado com base nos valores cotados no mercado na data de encerramento das demonstrações financeiras. No reconhecimento inicial, são classificados como outros ativos e/ou passivos financeiros com contrapartida no resultado nas rubricas de receitas ou despesas financeiras.

3.1.6. MOEDA ESTRANGEIRA

A Administração da Companhia definiu que sua moeda funcional, bem como das empresas controladas no Brasil, é o real de acordo com as normas descritas no Pronunciamento Técnico CPC nº 02 – Efeitos nas Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis, aprovado pela Deliberação CVM nº 640/10. A moeda funcional das empresas localizadas no exterior é a do respectivo país onde operam, exceto as empresas localizadas no Uruguai, cuja moeda funcional é o dólar norte-americano. As conversões para a moeda de reporte são feitas em conformidade com o Pronunciamento Técnico CPC nº 02.

Transações em moeda estrangeira, isto é, todas aquelas que não realizadas na moeda funcional, são convertidas pela taxa de câmbio das datas de cada transação. Ativos e passivos monetários em moeda estrangeira são convertidos para a moeda funcional pela taxa de câmbio da data do fechamento. Os ganhos e as perdas de variações nas taxas de câmbio sobre os ativos e os passivos monetários são reconhecidos na demonstração do resultado. Ativos e passivos não monetários adquiridos ou contratados em moeda estrangeira são convertidos com base nas taxas de câmbio das datas das transações ou nas datas de avaliação ao valor justo quando este é utilizado.

3.1.7. ATIVOS CIRCULANTE E NÃO CIRCULANTE

  • Caixa e equivalentes de caixa

    Caixa e equivalentes de caixa incluem os numerários em espécie, depósitos bancários disponíveis e aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, as quais são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa, estão sujeitos a um insignificante risco de mudança de valor.

  • Contas a receber de clientes

  • As contas a receber de clientes são registradas pelo valor faturado e, quando aplicável, ajustado ao seu valor presente.

    A provisão para créditos de liquidação duvidosa foi constituída em montante considerado suficiente pela Administração para suprir as eventuais perdas na realização desses valores.

  • Estoques

  • Os estoques são demonstrados ao custo médio das compras ou produção, sendo ajustados aos valores de mercado ou de realização.

  • Investimentos

  • Os investimentos em empresas controladas e coligadas são avaliados pelo método de equivalência patrimonial.

  • Imobilizado

Os ativos imobilizados são registrados pelo custo de aquisição ou construção, deduzidos da depreciação calculada pelo método linear com base nas taxas mencionadas na nota explicativa nº 12 e levam em consideração o tempo de vida útil estimada dos bens e com base nos prazos contratuais dos imóveis alugados quanto às benfeitorias efetuadas.

Os encargos financeiros dos financiamentos contratados na fase de construção de bens integrantes do ativo imobilizado são capitalizados.

Adicionalmente, com o objetivo de mensurar seus ativos imobilizados ao valor justo, a Companhia optou por adotar o conceito de "deemed cost" constante do pronunciamento do CPC 27 e ICPC 10, conforme descrito na nota explicativa 12.

Outros gastos são capitalizados apenas quando há um aumento nos benefícios econômicos desse item do imobilizado. Qualquer outro tipo de gasto é reconhecido no resultado como despesa, quando incorrido.

Arrendamento

  • Arrendamento financeiro

    Determinados contratos de arrendamento transferem substancialmente à Companhia os riscos e benefícios inerentes a propriedade de um ativo. Esses contratos são caracterizados como contratos de arrendamento financeiro, sendo registrados no momento inicial como ativo imobilizado em contrapartida do passivo pelo seu valor presente ou valor justo.

  • Arrendamento operacional

    Determinados contratos são classificados como arrendamento operacional quando a substância do contrato não atende os requerimentos de arrendamento financeiro. Os pagamentos desses contratos são registrados como despesa no resultado linearmente pelo exercício dos contratos.

  • Intangível

    Os ativos intangíveis compreendem os ativos adquiridos de terceiros, inclusive por meio de combinação de negócios, e os gerados internamente pela Companhia. São registrados pelo custo de aquisição ou formação, deduzido da amortização calculada pelo método linear, com base nos prazos dos direitos de exploração decorrentes dos contratos de arrendamento e com base nos prazos estimados de recuperação do ágio.

Os ativos intangíveis com vida útil indefinida e o ágio por expectativa de rentabilidade futura a partir de 1º de janeiro de 2009 não são amortizados e têm o seu valor recuperável testado anualmente.

O ágio representa o excesso do custo de uma combinação de negócios sobre, no caso das combinações de negócios concluídas antes de 1o de janeiro de 2010, a participação do Grupo no valor justo dos ativos, passivos e passivos contingentes adquiridos e, no caso das combinações de negócios concluídas a partir de 1o de Janeiro de 2010, o valor justo total da data de aquisição dos ativos, passivos e passivos contingentes adquiridos.

Para combinações de negócios concluídas antes de 1o de janeiro de 2010, o custo compreende o justo valor dos ativos cedidos, dos passivos assumidos e dos instrumentos patrimoniais emitidos, assim como todos os custos diretos de aquisição. As alterações no valor estimado da consideração contingente decorrente de combinações de negócios concluídas até esta data são tratadas como um ajuste ao custo e, consequentemente, resultam numa mudança no valor contábil do ágio.

Para as combinações de negócios concluídas a partir de 1o de Janeiro de 2010, o custo compreende o valor justo dos ativos cedidos, dos passivos assumidos e dos instrumentos patrimoniais emitidos, acrescido do valor de toda a participação minoritária na adquirida mais, se a combinação de negócios for alcançada por etapas, ao valor justo dos juros da participação existentes na adquirida. A consideração contingente está incluída no custo ao valor justo na data da aquisição e, no caso de consideração contingente classificada como um passivo financeiro, reavaliada posteriormente no resultado. Para as combinações de negócios concluídas a partir de 1o de Janeiro de 2010, os custos diretos de aquisição são reconhecidos imediatamente como um gasto.

O ágio é capitalizado como um ativo intangível, sendo que qualquer impairment do seu valor contábil é debitado na demonstração consolidada dos resultados abrangentes. Sempre que o valor justo dos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis exceder o valor justo da contraprestação paga, a diferença será creditada integralmente na demonstração dos resultados abrangentes consolidada na data de aquisição.

  • Diferido

A companhia, apesar de ter a opção de manter, baixou o saldo do seu ativo diferido em 1o de janeiro de 2009 com a finalidade de alinhar as práticas contábeis da controladora Marfrig Alimentos S.A. às práticas contábeis segundo as normas do IFRS para as suas demonstrações financeiras consolidadas.

3.1.8. ATIVO BIOLÓGICO

Ativos biológicos: conforme Deliberação CVM nº 596/09, atividade agrícola é o gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos (animais e/ou plantas vivos) para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais. A Companhia classifica bovinos, aves e suínos vivos como ativos biológicos.

A Companhia reconhece os ativos biológicos quando ela controla esses ativos como consequência de um evento passado e é provável que benefícios econômicos futuros associados a esses ativos fluirão para a Companhia e o valor justo pode ser mensurado de forma confiável.

De acordo com a Deliberação CVM no 596/09, os ativos biológicos devem ser mensurados ao valor justo menos as despesas de venda no momento do reconhecimento inicial e no final de cada período de competência, exceto para os casos em que o valor justo não possa ser mensurado de forma confiável.

3.1.9. REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL

Os testes de impairment sobre o ágio e outros ativos intangíveis com vida útil econômica indefinida são anualmente levados no encerramento do exercício financeiro. Outros ativos não financeiros são submetidos a testes de impairment sempre que eventos ou mudanças nas circunstâncias indicarem que seu valor contábil pode não ser recuperável. Quando o valor contábil de um ativo excede a sua quantia recuperável (isto é, o maior entre o valor de uso e o valor justo menos os custos da venda), o ativo é baixado.

Quando não é possível estimar o valor recuperável de um ativo individual, o teste de impairment é realizado em sua unidade geradora de caixa (CGUs): o menor grupo de ativos ao qual o ativo pertence e para o qual existem fluxos de caixa separadamente identificáveis. O ágio é alocado no reconhecimento inicial a cada uma das CGUs do Grupo que se espera serem beneficiadas das sinergias da combinação que ocasionou o ágio.

As perdas por impairment estão incluídas no resultado, exceto na medida em que invertam os ganhos anteriormente reconhecidos em outros resultados abrangentes. Uma perda por impairment reconhecida para o ágio não é revertida.

3.1.10. PASSIVOS CIRCULANTES E NÃO CIRCULANTES

Os passivos circulantes e não circulantes são demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acrescidos, quando aplicável, dos correspondentes encargos, variações monetárias e/ou cambiais incorridas até a data do balanço patrimonial.

3.1.11. PROVISÕES

As provisões são reconhecidas em decorrência de eventos passados que originaram um passivo, sendo provável que um recurso econômico seja requerido para saldá-lo. As provisões são registradas quando as perdas são julgadas como prováveis tendo como base as melhores estimativas do risco envolvido.

3.1.12. PLANO DE REMUNERA ÇÃO BASEADO EM AÇÕES

Os efeitos do plano de remuneração baseado em ações são calculados com base no valor justo e reconhecidos no balanço patrimonial e na demonstração do resultado conforme as condições contratuais sejam atendidas e de acordo com o comentado na nota explicativa nº 24.

3.1.13. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUI ÇÃO SOCIAL

O imposto de renda é apurado com base no lucro real. O imposto de renda e a contribuição social são recolhidos mensalmente sobre bases de cálculo estimadas, nas formas e alíquotas previstas na legislação vigente.

Os ativos diferidos decorrentes de prejuízo fiscal, base negativa da contribuição social e diferenças temporárias são registrados em conformidade com a legislação tributária e Deliberação CVM nº 599/09 – Tributos sobre Lucro, e levam em consideração o histórico de rentabilidade e a expectativa de geração de lucros tributáveis futuros fundamentada em estudo técnico de viabilidade revisado anualmente.

A Companhia e suas controladas optaram pelo Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, manifestando sua opção, de forma irretratável, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica de 2009.

Os ativos e passivos fiscais diferidos são reconhecidos quando o valor contábil de um ativo ou passivo difere de sua base fiscal, exceto para as diferenças decorrentes:

  • O reconhecimento inicial do ágio;
  • O reconhecimento inicial de um ativo ou passivo em uma transação que não seja uma combinação de negócios e no momento em que a transação não afete nem o lucro contábil nem o lucro tributável; e
  • Os investimentos em subsidiárias e entidades controladas em conjunto, em que o grupo seja capaz de controlar o momento da reversão da diferença e seja provável que a diferença não reverterá no futuro previsível.

O reconhecimento dos ativos fiscais diferidos está restrito às ocasiões em que seja provável que o lucro tributável estará disponível contra os quais a diferença possa ser utilizada.

O valor de ativos e passivos é determinado utilizando-se as alíquotas tributárias vigentes ou substancialmente vigentes na data das demonstrações contábeis e que se espera que sejam aplicáveis quando os (ativos)/passivos diferidos forem (recuperados)/liquidados.

Os ativos e passivos fiscais diferidos são compensados quando o Grupo possui um direito legalmente exequível de compensar ativos e passivos fiscais circulantes e os ativos e passivos fiscais diferidos se relacionam a esses impostos cobrados pela mesma autoridade fiscal:

  • A mesma empresa do grupo tributável; ou
  • Diferentes entidades do grupo que pretendem liquidar os ativos e passivos fiscais circulantes pelo valor líquido ou realizar os ativos e liquidar os passivos simultaneamente, em cada exercício futuro em que valores significativos de ativos e passivos fiscais diferidos devam ser liquidados ou recuperados.

3.1.14. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO

Dividendos e juros sobre o capital próprio: a proposta de distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio efetuada pela Administração da Companhia que estiver dentro da parcela equivalente ao dividendo mínimo obrigatório é registrada como passivo circulante, por ser considerada uma obrigação legal prevista no estatuto social; entretanto, a parcela dos dividendos superior ao dividendo mínimo obrigatório, declarada pela Administração antes do encerramento do período contábil a que se referem as demonstrações financeiras, ainda não aprovada pelos acionistas é registrada como dividendo adicional proposto, no patrimônio líquido.

Para fins de apresentação das demonstrações financeiras, os juros sobre capital próprio estão demonstrados como destinação do resultado diretamente no patrimônio líquido.

3.1.15. LUCRO POR AÇÃO

Básico

O lucro básico por ação é calculado mediante a divisão do lucro atribuível aos acionistas controladores e não controladores da Companhia, pela quantidade média ponderada de ações ordinárias em circulação durante o exercício, conforme preconizado pela deliberação CVM no 636/10 (CPC 41 – Resultado por ação), excluindo as ações classificadas como ações em tesouraria.

Diluído

O lucro por ação diluído é calculado ajustando-se a média ponderada da quantidade de ações ordinárias em circulação supondo a conversão de todas as ações ordinárias potenciais que provocariam diluição e também ajustando-se quaisquer outras alterações nas receitas ou despesas que resultariam da conversão das ações ordinárias potenciais diluidoras.

3.1.16. AJUSTE A VALOR PRESENTE

De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC nº 12, aprovado pela Deliberação CVM nº 564/2008, os ativos e passivos não circulantes, bem como os ativos e passivos circulantes relevantes, são registrados a valor presente, transação a transação, com base em taxas de juros que refletem o prazo, a moeda e o risco de cada transação. A contrapartida dos ajustes a valor presente é contabilizada nas contas que deram origem ao referido ativo ou passivo. A diferença entre o valor presente de uma transação e o valor de face do ativo ou passivo é apropriada ao resultado ao longo do prazo do contrato com base no método do custo amortizado e da taxa de juros efetiva.

Os ajustes a valor presente foram apurados com base na média entre a taxa Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia (taxa estabelecida como a de retorno do capital próprio) e a taxa média de captação de recursos no mercado financeiro (taxa estabelecida como a de retorno do capital de terceiros), atingindo assim, o índice médio de 8,63% a.a. em 31 de dezembro de 2010 (8,52% a.a. para 31 de dezembro de 2009).

Os prazos utilizados na apuração do ajuste a valor presente variam de acordo com atividade operacional envolvida, correspondendo à expectativa média do prazo para liquidação, por exemplo: prazo médio de recebimento de vendas, prazo médio de pagamento, prazo da liquidação dos parcelamentos tributários e outros que sejam necessários.

As taxas praticadas e os prazos estabelecidos, atrelado aos fatores de risco envolvidos nas operações da Companhia, estão perfeitamente refletidos na apuração do valor presente.

3.1.17. GASTOS COM EMISSÃO DE AÇÕES

De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC nº 8, aprovado pela Deliberação CVM nº 649/2010, os custos de transação incorridos na captação de recursos por intermédio da emissão de títulos patrimoniais devem ser contabilizados, de forma destacada, em conta redutora de patrimônio líquido, deduzidos os eventuais efeitos fiscais.

3.1.18. AÇÕES EM TESOURARIA

Trata-se das ações da Companhia que foram adquiridas pela própria sociedade, mantidas em Tesouraria com finalidade específica de atendimento ao exercício do plano de opções de ações da Companhia, conforme nota explicativa nº 21.3.3. O montante de ações em tesouraria é registrado em conta própria e, para fins de apresentação de balanço, é deduzido da Reserva de Lucros, cujo saldo foi utilizado para tal operação.

3.1.19. COMBINA ÇÃO DE NEGÓCIOS

Combinação de negócios são contabilizadas utilizando o método de aquisição. O custo de uma aquisição é mensurado pela soma da contraprestação transferida, avaliada com base no valor justo na data de aquisição, e o valor de qualquer participação de não controladores na adquirida. Para cada combinação de negócio, a adquirente deve mensurar a participação de não controladores na adquirida pelo valor justo ou com base na sua participação nos ativos líquidos identificados na adquirida. Custos diretamente atribuíveis à aquisição devem ser contabilizados como despesa quando incorridos.

Na aquisição de um negócio, a Administração avalia os ativos e passivos assumidos com o objetivo de classificá-los e alocá-los de acordo com os termos contratuais, as circunstâncias econômicas e as condições pertinentes na data de aquisição.

Inicialmente, o ágio é mensurado como sendo o excedente da contraprestação transferida em relação ao valor justo dos ativos líquidos adquiridos (ativos identificáveis e passivos assumidos, líquidos). Se a contraprestação for menor do que o valor justo dos ativos líquidos adquiridos, a diferença deverá ser reconhecida como ganho na demonstração do resultado.

Após o reconhecimento inicial, o ágio é mensurado pelo custo, deduzido de quaisquer perdas acumuladas do valor recuperável. Para fins de teste do valor recuperável, o ágio adquirido em uma combinação de negócios, a partir da data de aquisição, deve ser alocado a cada uma das unidades geradoras de caixa da Companhia que se espera sejam beneficiadas pelas sinergias da combinação, independentemente de outros ativos ou passivos da adquirida serem atribuídos a essas unidades.

As combinações de negócios realizadas pela Companhia estão apresentadas na nota explicativa nº 11.

3.1.20. CONSOLIDAÇÃO

As práticas contábeis são aplicadas de forma uniforme em todas as empresas consolidadas e consistentes com aquelas utilizadas no exercício anterior.

Descrição dos principais procedimentos de consolidação:

  • Eliminação dos saldos das contas de ativos e passivos entre as empresas;
  • Eliminação das participações no capital, reservas e lucros acumulados das empresas controladas;
  • Eliminação dos saldos de receitas e despesas, bem como de lucros não realizados decorrentes de negócios entre as empresas.

3.1.21. PARTICIPAÇÃO MINORITÁRIA

  • Para combinações de negócios concluídos a partir de 1o de Janeiro de 2010, o Grupo tem a escolha, numa base de combinação de negócios, de reconhecer inicialmente qualquer participação minoritária na adquirida no valor justo da data de aquisição ou, conforme exigido antes de 1o de janeiro de 2010, a parcela proporcional da participação minoritária nos ativos líquidos da adquirida. O grupo escolheu não optar pela utilização do valor justo nas aquisições concluídas até a data.
  • A partir de 1o de janeiro de 2010, outros resultados abrangentes de subsidiárias não integrais são atribuídos aos proprietários da controladora e à participação minoritária na proporção de suas participações relativas. Antes desta data, as perdas para as quais não há reserva nessas subsidiárias eram atribuídas exclusivamente ao grupo. Em conformidade com as disposições transitórias da IAS 27 (2008), o valor contábil da participação minoritária na data efetiva da alteração não foi atualizado.


3.2. DEMONSTRA ÇÕES CONTÁBEIS CONSOLIDADAS

As demonstrações contábeis consolidadas incluem as informações da Companhia e das suas controladas:
 
CONTROLADAS DIRETAS PORCENTAGEM DE PARTICIPAÇÃO
31.12.10 31.12.09 01.01.09
Argentine Breeders & Packers S.A.  - 99,99% 99,99%
MFB Marfrig Frigoríficos Brasil S.A. 100,00% 100,00% 100,00%
Marfrig Chile S.A. 99,47% 99,47% 99,47%
Inaler S.A. 100,00% 100,00% 100,00%
Frigorífico Tacuarembó S.A. 93,53% 93,45% 93,26%
Weston Importers Ltd. 100,00% 100,00% 100,00%
Masplen Limited 100,00% 100,00% 100,00%
Prestcott International S.A. 100,00% 100,00% 97,99%
Secculum Participações Ltda. 99,00% 99,00% 99,00%
União Frederiquense Partic. Ltda. 99,99% 99,99% 99,84%
QuickFood S.A. 90,05% 81,48% 80,31%
Establecimientos Colonia S.A. 100,00% 100,00% 100,00%
Marfrig Holdings (Europe) BV 100,00% 100,00%  -
Seara Holding (Europe) BV (1) 100,00% 100,00%  -
Columbus Netherlands BV 100,00%  -  -
Marfrig Overseas Ltd. 100,00%  -  -
Marfood USA Inc. 100,00%  -  -
Keystone Foods International Holdings, LLC 100,00%  -  -
(1) Atual denominação da CCKVL Holding BV.


As demonstrações contábeis das companhias controladas sediadas no exterior foram elaboradas, originalmente em moeda local, em conformidade com a legislação vigente em cada país onde estão localizadas e foram revisadas por auditores independentes tendo sido convertidas, às práticas contábeis emanadas pelo International Financial Reporting Standards – IFRS e em dólares norte-americanos (US$) e, posteriormente, convertidas às normas contábeis aplicáveis no Brasil e para reais, pela taxa cambial correspondente na data do balanço.

3.2.1. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

Demonstração do valor adicionado: a Companhia elaborou demonstrações do valor adicionado ("DVA") individuais e consolidadas nos termos da Deliberação CVM n° 557/08, as quais são apresentadas como parte integrante das demonstrações financeiras conforme BR GAAP. Para IFRS representam informação financeira adicional.
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